
A semear Compreensão e a colher Inclusão
Somos uma associação sem fins lucrativos que acredita no poder da compreensão e na força da inclusão. A nossa jornada coletiva é dedicada a uma causa fundamental: a saúde mental e o bem-estar de todos os portadores de perturbações mentais. Com corações unidos e mentes abertas, estamos determinados a criar um mundo onde a psicofobia seja substituída pela compreensão, onde as doenças do foro psiquiátrico sejam abordadas com empatia e onde cada indivíduo possa viver com dignidade e esperança de ter qualidade de vida.
Afinal de contas, qualquer um de nós está sujeito a desenvolver uma doença mental.
Corridor in the Asylum - Van Gogh (1889)
Propósitos

D
Desmistificação: Dedicamo-nos a desmistificar e a desafiar estigmas e estereótipos relacionados à saúde mental e às perturbações do foro psiquiátrico.
Fonte: Tim Tadder, Black is a Color, 2020;

E
Educação: O foco principal da DELPEL é a educação, ao fornecer informações precisas sobre saúde mental ao público geral e ao promover estratégias de enfrentamento aos afetados por estas patologias.
Fonte: Joel Villegas, Glitched Portraits Sereies

L
Luta: Lutamos ativamente contra a psicofobia e qualquer forma de discriminação e preconceito contra os indivíduos portadores de perturbações mentais.
Fonte: Tim Tadder, Democracy Descontructed Fine Art Paintscreens
Michael Nemitz & Shawn Cross, The Hyena, Prints

P
Prevenção: A prevenção é um dos nossos pilares. Trabalhamos para reduzir o estigma e promover a procura por ajuda o mais precocemente possível a fim de evitar o agravamento de problemas de saúde mental ou até mesmo o seu surgimento.
Fonte: Klarens Malluta, Year 3 of everydays - 2 0 2 0;

E
Empatia: A DELPEL promove a empatia, encorajando as pessoas a entenderem e apoiarem aqueles que enfrentam desafios relacionados à saúde mental.
Fonte: Retoka, Totem;

L
Liberdade: Procuramos ativamente garantir que os indivíduos com perturbações mentais tenham a liberdade de procurar e ter acesso ao tratamento sem medo de serem discriminados e julgados de forma infundada.
Fonte: Klaren Malluta, April 2 0 2 0 of everydays;


DSM-5 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders 5th Edition)

Doença mental - Conceito
Há várias perspetivas e vieses no que preocupa à definição do que realmente é e possa ser considerado doença mental.
Doença mental, perturbação mental, distúrbio psiquiátrico entre outras designações, servem um único propósito - dar nome ao sofrimento daqueles que de nada aparentemente físico sofrem, mas que ainda assim apresentam graus variáveis de transtorno.
Pegando então no pressuposto acima, pode-se afirmar que doença mental é a ausência de algo aparentemente físico que justifique determinada conjuntura de sintomas, que por sua vez impede o normal funcionamento do indivíduo desde um núcleo mais individual, os seus pensamentos, emoções e hábitos próprios até um núcleo mais abrangente, as relações familiares, conjugais, laborais etc.
A origem desse transtorno vai estar então primariamente no cérebro e na psique, havendo doenças mentais com componentes biológicas mais acentuadas, caso da Perturbação Afetiva Bipolar e da Esquizofrenia e outras com componentes psicológicas mais relevantes como a Perturbação de Personalidade Limítrofe e a Perturbação Dissociativa de Identidade.
Contudo, toda e qualquer doença mental é resultante da interação de fatores biológicos, psicológicos e ambientais.
PSICOFOBIA
Trata-se de uma das múltiplas formas de preconceito, porém direcionado sobretudo aos portadores de doenças mentais e/ou condições do desenvolvimento.
Na necessidade de dar uma designação apropriada a essa tipologia de discriminação, o humorista Chico Anysio (1931-2012), diagnosticado com Perturbação Depressiva Major, juntamente com a Associação Brasileira de Psiquiatria, cunharam o termo psicofobia, no ano de 2011.
A psicofobia é, portanto, toda e qualquer atitude hostil direcionada a um indivíduo com algum problema de saúde mental ou a nível do desenvolvimento, simplesmente por ser possuidor desse problema. Discursos rasos, cientificamente infirmados e falas violentas constituem igualmente psicofobia e, portanto, um crime à luz da lei portuguesa.


Violência
Consolidou-se na sociedade a crença de que os doentes psiquiátricos são perigosos, violentos, imprevisíveis e instáveis, sendo intrinsecamente propensos a cometer crimes numa proporção maior em relação à população neurotípica (sem qualquer perturbação do foro mental).
Trata-se precisamente do contrário, a população psiquiátrica está muito mais vulnerável a sofrer violência, causada maioritariamente pela falta de informação e ignorância. Não se trata ainda de uma mera vulnerabilidade acrescida, mas sim de uma realidade.
Violência financeira onde durante os períodos de crise aguda, e não só, os familiares dos indivíduos portadores destas patologias, apoderam-se das suas posses financeiras e muitas vezes usam-nas inadequadamente e sem qualquer tipo de autorização.
Violência verbal como chamar estes indivíduos de "esquizofrénicos", "malucos", "maníacos do parque", "depravados", "psicopatas", "estúpidos", "incapazes", bem como as ameaças que seguem estes nomes, constituem igualmente uma fonte de preconceito que nada de bom agrega à recuperação destes indivíduos.
Violência física em que os doentes são cuspidos, assediados sexualmente, violados, atacados com facas, espancados, amarrados, entre outras práticas do mesmo viés, são também reportadas e constatadas.
Atos de negligência também são uma realidade onde os indivíduos são deixados nas camas, sem roupa, sem acesso adequado a instalações para fazerem as suas necessidades fisiológicas, sem ninguém para falar entre outros atos infelizes e desumanos.
Tudo isto constitui o que é a psicofobia e aquilo que temos como propósito máximo combater.
